Sexta-feira e a lua lá no céu. Eu estava bebendo, sozinho, em casa, antes de sair pra noite, o famoso e crucial esquenta. Banho tomado, som ligado e tentando ficar no sapatinho, a noite esticaria, como de praxe, até ao amanhecer. Quando estava saindo de casa para encontrar minha amiga, o telefone tocou. Desliguei o som e atendi, era meu companheiro da república, estava bêbado, óbvio.
- Alô?
Escutei quase nada, o barulho era imenso.
- Onde você está? – Perguntei sem sucesso.
- Estou indo pra casa. Junto com algumas pessoas. – A ligação caiu.
Quando meu amigo levava gente lá pra casa, era fato que todos dormiriam por lá, pois nenhum deles morava, digamos preconceituosamente, numa boa localização. Meu amigo espalhava desprovidos de condução por todos os lados: quartos, sala, banheiro e até no hall de entrada.
- Dessa vez... – Pensei alto. - No meu quarto não.
Corri até ao meu quarto e desfiz a cama. Coloquei, em cima dela, um violão, algumas almofadas e os organizei de uma forma que parecesse uma pessoa. Depois, cobri tudo com o edredom. Pra completar, peguei um par de tênis e encaixei perfeitamente no início do edredom. Ajeitei dali, ajeitei de cá. Perfeito, parecia que alguém dormia mesmo ali. Saí de casa.
Voltei sete horas depois, cambaleando e não conseguindo formular frases sensatas. Só um dos meus olhos estava aberto, morria de sono e só queria uma cama, a minha. Entrei na republica e notei pessoas espalhadas pela sala. Passei por cima de uma, pisei na mão de outra e apoiei o pé na nuca de alguém, ninguém se moveu, todos pareciam mortos de uma batalha, e no caso, a do álcool.
Quando abri a porta do meu quarto, depois de alguns minutos tentando reconhecer quem eram as pessoas que dormiam na minha casa, deparei-me com alguém deitado na minha cama, engoli seco.
Fiquei bravo, fiz um estardalhaço danado pra pegar um colchão, pequeno e fino, que ficava em cima do meu guarda-roupa, tudo pra acordar o meliante que dormia com o MEU edredom e na MINHA cama. Deitei-me quase dentro da cozinha, o único lugar vazio, e desmaiei.
No outro dia, meu amigo me acorda e pergunta quem está dormindo no meu quarto. Depois da pergunta, minha memória voltou como um computador reiniciado. Lembrei de tudo: do violão, das almofadas e até o detalhe do sapato, mas eu não daria esse mole ao meu amigo bem na frente de todos os amigos dele, ele me zoaria pelo resto da minha vida, rapidamente, rebati:
- É uma mulherzinha que eu peguei, veio dormir aqui. Pede pro pessoal fazer silêncio.
Entrei pro quarto e fechei a porta, antes de jogar tudo pro chão.


1 comentários:
Que bela noitada entre panelas!
kkkkkkkkkkkkkkk
Bj
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