No imenso jardim da casa grande, a jovem senhorita Adelaide caminhava a procura de joaninhas. Entre as plantas aparadas, artisticamente, pelo jardineiro, a jovem sorria para cada flor desabrochada e corria contra ao vendo para senti-lo na face. Os pássaros pareciam a rodear, todos cantavam felizes, afinados numa nota só. Um coelho branco, mesmo não sendo comum naquelas bandas, a acompanhava, sem receio algum, dando pequenos saltos. Quando encontrou uma joaninha pintada de bolinhas amarelas, foi interrompida pelo badalar do sino. Adelaide reconheceu a voz aveludada de Ataulfo, o criado, chamando-a para o almoço. Largou, desleixadamente, o vidro com as joaninhas no chão e correu para dentro de casa. Segundos depois:
- Chega pra lá, tira essa perna daqui.
- Alguém pode me desvirar?
- Estou sem ar. – Berrou uma das joaninhas.
- Lauro, por favor, sem ataquinhos caustrofóbicos agora. Os furinhos da tampa dão até pra gente passar, sobra oxigênio aqui dentro.
Depois de se ajeitarem, as seis joaninhas escaparam, uma a uma, por um dos buracos do pote. A joaninha, pintada de bolinhas amarelas, aguardava-as a cinco centímetros do local. Com o semblante de esperta, a joaninha danou-se a falar:
- Sim, minhas queridas, como sempre eu me safo. Vocês já sabem o motivo, não sabem? – A joaninhas ficaram reprimidas, já estavam acostumadas com o jeito da outra. - Tudo bem, as moçoilas não precisam me responder. Minha beleza é escancarada, estampada na cara... E por todo o meu corpo, certo? – Disse rodopiando e abrindo as asinhas.
- Claudinei você parece que vive o ano inteiro fantasiado, essas pintas.
- É inveja de vocês.
- Parece um dálmata. – Riram.
- Calem a boca. Vamos sair daqui antes que esse projeto de ser humano volte e nos sequestre novamente.
Quando tomavam o rumo de casa, a senhorita Adelaide, de repente, apareceu e ficou excitadíssima quando avistou a joaninha pintada de bolinha amarela. Não tardou, com as pontas dos dedos agarrou a joaninha pelas asas e a enfiou dentro do pote. Feliz, a menina foi embora saltitante para dentro de casa.
As seis joaninhas ficaram perplexas. Passaram semanas rezando para que nada a acontecesse, choraram, fizeram promessas e tentaram até montar um plano para resgatá-la, mas desistiram, seria muito perigoso para todas. Quando perderam as esperanças, já cansadas de tanto sofrimento, o Claudinei apareceu e estranhamente estava caminhando tranquilo pela redondeza. Esbaforidas, elas voaram para cima dela, abraçaram e a beijaram por um bom tempo.
- Você está bem? Algum ferimento?
- Que bom!
- Aleluia Senhor.
- Chegam pra lá suas doidas. Eu estou ó-t-i-m-a. Estava num SPA magnífico, digno de cinema. Não notaram que estou mais magra? – Deu uma pausa, rodopiou abrindo as asinhas e continuou. – E bem mais bonita que antes?


3 comentários:
huahuahah...
auehauehauehuaheuahe!
acho que vou fazer que nem essa joaninha. estou precisando ficar mais bonita =)
bjs
Oi, quanto tempo!
Adorei o conto da joaninha. Um estilo novo esse. Mas a veia cômica continua aí.
beijos,
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